Frequência

A duração de formação superior varia, tipicamente, entre 3 e 5 anos. Considerando a hipótese de o percurso académico não ser totalmente marcado pelo sucesso, este tempo poderá aumentar. Independentemente do tempo mínimo e do máximo que se permanece numa instituição de ensino superior, será sempre um período significativo, numa idade de grandes mudanças e com inúmeros desafios associados.

Deste modo, é natural que possam existir diferentes acontecimentos com impacto no bem-estar psicológico.

São aqui referidos alguns dos problemas que mais frequentemente são suscetíveis de ocorrerem durante este período, assim como algumas sugestões para ultrapassa-los.

Dificuldades mais frequentes na frequência do ensino superior

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Confronto com o insucesso

É muitas vezes no ensino superior que existe o primeiro confronto com a experiência do insucesso académico e pessoal. Mesmo para alunos que não passam por uma marcada experiência de insucesso, por vezes os elevados padrões académicos anteriores são postos em causa, com a perceção de que já não se é tão competente ou que, por maior esforço, não se consegue alcançar níveis de sucesso similares. Qualquer uma das experiências, ainda que a níveis diferentes, podem afetar a perceção de autoeficácia e autoestima, gerando reações de ansiedade, frustração e desmotivação.
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Confronto com a vivência do curso escolhido

O ingresso num curso superior pode gerar uma situação de desadequação entre as expectativas criadas e a realidade encontrada. Por vezes isso corresponde a um processo de aferição e adequação de espectativas, em que o aluno após o confronto com as cadeiras iniciais do curso, tendencialmente mais generalistas e menos apelativas, se reenquadra no tipo de processo formativo oferecido e prossegue os seus estudos. Contudo, alguns estudantes, quando concorrem ao ensino superior, não estão seguros da sua escolha ou fazem-na com uma base informativa reduzida. Este facto potencia a que, com o decorrer do curso, se vão apercebendo de um certo desinteresse ou desmotivação face às temáticas abordadas. Os primeiros sinais aparecem quando, não apenas começa a existir insucesso, como este aparece associado a desinteresse ou fraco envolvimento com as tarefas académicas. Por vezes, é importante uma sinalização precoce desses sinais, de modo a que se possa redirecionar a escolha para uma área de maior interesse, sem a sensação de excesso de tempo perdido. Até porque, à medida que um aluno vai avançando no curso, pode-se gerar uma sensação de ambivalência face à tomada de decisão: por um lado, já se tem demasiado tempo e energia envolvida no curso para se desistir, por outro, ainda falta demasiado tempo para concluir a graduação, sem que a tal corresponda a antecipação ou projeção para algo que se deseje a nível profissional. Sendo uma realidade frequente, este tipo de questões tendem a ser vividas com angústia e ansiedade. Todavia, é um processo natural e é importante aceitá-lo enquanto uma oportunidade de reorientação para uma formação com que exista uma maior identificação.

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As relações amorosas e os novos desafios

Com frequência, é na faculdade que se estabelecem as primeiras relações de namoro estáveis. É também neste período que, em muitos casos, ocorre a primeira experiência da intimidade. Sendo um período potencialmente rico de descoberta e de redefinição do estar em relação ao outro, é também neste período que podem ocorrer as primeiras perdas de relações significativas. Exigindo a maioria dos cursos uma elevada capacidade de trabalho e concentração, o luto de relações pode interferir de modo significativo com a vivência académica. A procura de suporte e ajuda no contexto relacional envolvente pode revelar-se uma mais-valia importante para ultrapassar estes períodos emocionalmente mais sensíveis. Qualquer processo de perda exige um período de assimilação da nova realidade e de reestruturação interna e externa. Será necessário dar algum tempo para que o processo siga o seu curso natural, ao mesmo tempo que se deve procurar desenvolver uma postura ativa de autocuidado. Caso se sinta que o impacto da perca está a ser avassalador, de difícil gestão com os recursos disponíveis ou está a ser demorado no tempo, deve-se ponderar a o recurso a uma ajuda especializada que o ajude a promover uma postura mais adaptativa face à perca.

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Gestão do tempo e de prioridades

No decurso de um curso superior, nem sempre é fácil fazer uma eficaz gestão das diferentes solicitações ou interesses, com conflitos entre diferentes tarefas. A gestão do tempo tende a ser uma das maiores dificuldades apontadas pelos estudantes do ensino superior, ao qual está com frequência associada uma menor capacidade de gestão de prioridades. A questão da gestão do tempo tem um carácter comulativo, sobretudo num meio estruturado em função de segmentos temporalmente definidos com avaliações no final: quanto menor a minha capacidade de gerir o tempo, mais as tarefas vão ficando fora do meu controle e maior dificuldade tenho em as gerir eficazmente. É bastante relevante o estabelecimento inicial de prioridades e agir em conformidade com o tempo que dedico a cada uma delas. Dado o impacto que pode ter na vida de um estudante do ensino superior, a sua importância não deve ser minorada e devem ser tomadas ações concretas que promovam o desenvolvimento desta competência (por tentativa de auto-regulação, pelo recurso a material didático de auto-ajuda, pela frequência de ações de formação ou pelo recurso à ajuda profissional, caso as dificuldades permaneçam).

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Os problemas psicológicos no início da idade adulta

O início da idade adulta é um período sensível ao nível do surgimento ou amplificação das dificuldades psicológicas. Por vezes, o confronto com situações geradoras da quebra da homeostase interna despoleta reações psicológicas significativas. Algumas, são eminentemente reativas e de fácil regulação, outras ganham contornos mais sérios. Independentemente da sua origem, os sinais não devem ser ignorados. Em caso de dúvida, deve-se procurar um profissional especializado, dado que uma intervenções precoce potencia a obtenção de resultados mais favoráveis e evitam a geração de situações de maior impacto ou cronicidade.

 

Conceitos importantes

    • Assertividade: capacidade de fazer a afirmação dos próprios direitos e expressar pensamentos, sentimentos e crenças de maneira direta, clara, honesta e apropriada ao contexto, de modo a não violar o direito das outras pessoas. A postura assertiva é uma virtude, pois se mantém no justo meio-termo entre dois extremos inadequados, um por excesso (agressividade), outro por falta (submissão). Ser assertivo é dizer “sim” e “não” quando é necessário.
    • Evitamento: postura em que o conflito ou o desconforto (no sentido genérico) tendem a ser pouco tolerados, ativando nas pessoas ações, posturas ou decisões que implicam o afastamento de situações tensas ou a anulação de vontades ou direitos em função da manutenção de um nível momentâneo de maior conforto ou segurança. Está fortemente associada à procrastinação.
    • Procrastinação: atrasar ou adiar sistematicamente a realização de atividades relevantes. Procrastinar implica deixar que as tarefas de baixa prioridade (menos importantes) antecipem as de alta prioridade (mais importantes). Qualquer tipo de procrastinação envolve a decisão de adiar. Esta decisão pode levar a um alívio temporário imediato, mas a médio ou longo prazo pode conduzir a uma baixa sensação de autoeficácia, sentimentos de culpa, inadequação, auto depreciação, depressão, incerteza, ansiedade, para além das consequências adversas que advêm da não realização das tarefas (oportunidades desperdiçadas, fraco desempenho; notas baixas, aumento do stress, sensação de falta de domínio ou controlo, deixar de conseguir acompanhar as cadeiras, etc.). Os resultados da procrastinação podem facilmente interferir com sucesso académico e pessoal das pessoas em geral e dos estudantes em particular.

O que fazer?

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Mobilizar os recursos sociais disponíveis

As dificuldades ou problemas que nos afetam podem gerar uma dinâmica de isolamento ou de vergonha. No entanto, um dos recursos disponíveis são as pessoas que se encontram à nossa volta. Se um amigo ou familiar partilha um problema connosco e nos pede ajuda, possivelmente revelaremos disponibilidade em estar com ele e em o ajudar. Porque não aplicar este princípio a nós próprios?

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Reconhecer e dar atenção aos sinais

Um bom princípio é sempre a aceitação e reconhecimento que algum aspeto da nossa vivência nos está a deixar numa posição de vulnerabilidade e insatisfação. Seja a que nível for, esta consciência coloca-nos numa posição mais vantajosa para tomar ações ou decisões que vão de encontro às nossas necessidades. A ação precoce, quer seja pela mobilização recursos pessoais, pelo recorrer ao suporte social, aos recursos disponibilizados pela instituição ou por ajuda profissional, revelam-se sempre mais vantajosos.

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Procurar soluções através da modificação da nossa abordagem ao problema

Por vezes queremos ultrapassar uma dificuldade ou problema através de um maior esforço na sua resolução. Se já o tentou fazer e o problema subsiste, talvez não seja apenas uma questão de esforço. É importante reconhecer as limitações da nossa abordagem e ter em consideração que, se continuar a fazer mais do mesmo, possivelmente continuarei a obter resultados semelhantes. Há que tentar refletir sobre a questão em causa e tentar modificar a abordagem à mesma.

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Recorrer às oportunidades oferecidas pela universidade

Regra geral, existem associações, clubes, atividades desportivas ou outras atividades que são oferecidas no contexto das instituições universitárias. Estas podem ser um importante fator de regulador, quer ao nível do bem-estar físico, do bem estar emocional ou do envolvimento social. Para obter informações sobre estas oportunidades, pode ser útil consultar os serviços sociais ou a associação de estudantes.

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Serviços de Apoio Psicológico e Psicopedagógico no ensino superior

Quando a pessoa sente que não consegue ou não quer lidar com as suas dificuldades e problemas autonomamente, pode fazer sentido recorrer aos serviços de apoio psicológico e pedagógico de cada instituição. Apesar de este tipo de serviço se estar a tornar mais frequente nas universidades, nem todas os possuem. Estes serviços podem auxiliar na formação de novas capacidades e estratégias de estudo, e fornecem aconselhamento psicológico ou psicoterapia.

Para mais informações sobre estes serviços consultar aqui.

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Outros apoios especializados

Se a instituição de ensino não oferecer este tipo de serviços, poderá considerar a possibilidade de procurar externamente outras fontes de apoio especializado. O importante é sentir que se está a colocar numa posição de primazia, cuidando de si e do seu bem-estar.

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