Problemáticas Frequentes

De um modo geral, todas as pessoas contactam com qualquer tipo de patologia mental ao longo da sua vida, quer por a desenvolverem, quer por conhecerem alguém nessa situação. Aqui poderão ser consultadas as perturbações mais frequentes.

Ansiedade

A ansiedade é uma emoção gerada pela antecipação de algum perigo. É algo que acontece à margem da nossa vontade e que se despoleta pela antecipação de uma ameaça à nossa integridade física e psicológica. A sua manifestação pode ir desde uma ligeira sensação que nos torna vigilantes e ativos até estados de intenso desconforto com comprometimento da nossa normal capacidade de resposta.

Perturbações mais frequentes:

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Ansiedade Generalizada

Consiste numa preocupação excessiva, incontrolável e frequentemente irracional com as coisas do dia-a-dia e que é desproporcional à fonte de preocupação. Essa preocupação excessiva interfere significativamente na vida quotidiana, sendo que as pessoas tendem a catastrofizar os acontecimentos, antecipam desastres e estão altamente preocupadas com questões da vida, como a saúde, dinheiro, morte, problemas de família, problemas sociais, etc.

Principais sintomas:

    • Dificuldade de concentração;
    • Fadiga;
    • Irritabilidade;
    • Tensão muscular;
    • Insónia;
    • Formigueiro nos pés, mãos, braços e pernas;
    • Tremores;
    • Transpiração excessiva;
    • Falta de ar;
    • Dificuldade de engolir;
    • Agitação;
    • Dores musculares e de cabeça;
    • Ruborização da face
    • Perda de memória;
    • Dores de cabeça;
    • Fobia social;
    • Depressão;
    • Tonturas.

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Perturbação de Pânico

Caracteriza-se por crises recorrentes de forte ansiedade ou medo, descritas como intensas, repentinas e inesperadas, provocando uma intensa sensação de mal-estar físico e mental que a pessoa tenta combater pela fuga do local onde se encontra.

A reacção de pânico é normal quando existe uma situação que favorece o seu surgimento, por exemplo, estar num local fechado onde começa um incêndio. O pânico é categorizado como patológico quando, para além de se tornar recorrente (i.e. vários ataques no período de semanas ou meses), estão presentes pelo menos quatro dos seguintes sintomas:

    • Aceleração da frequência cardíaca;
    • Sudorese difusa ou localizada (mãos ou pés);
    • Tremores;
    • Sensação de sufoco ou dificuldade em respirar;
    • Sensação de desmaio iminente;
    • Dor ou desconforto no peito (o que pode despoletar o receio de um ataque cardíaco);
    • Náusea ou desconforto abdominal;
    • Tonturas, dormência ou sensação de formigueiro no corpo;
    • Medo de enlouquecer ou de perder o controlo;
    • Medo de morrer;
    • Enrubescimento ou ondas de calor, calafrios pelo corpo.

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Fobia

Define-se como medo persistente e recorrente em relação a um determinado objecto ou circunstância e que, por consequência, despoleta forte reacção de ansiedade, podendo mesmo culminar numa crise semelhante à do pânico.

A pessoa tende a reconhecer que o seu medo é exagerado e não consegue justificá-lo pela vivência de um acontecimento traumático. No entanto, perante o estímulo, a resposta fóbica é desencadeada.

Os objectos fóbicos mais comuns são os animais (cães, aranhas, cobras), sangue, trovões e tempestades, alturas, elevadores, aviões. De destacar que a lista não se esgota nestes exemplares: qualquer objecto ou circunstância que suscite uma resposta fóbica típica pode enquadrar os critérios de fobia específica.

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Perturbação obsessivo-compulsiva

Caracteriza-se por pensamentos desagradáveis e recorrentes (obsessões) e/ou comportamentos repetitivos e ritualizados (compulsões), cujo objectivo é diminuir a ansiedade associada. A pessoa que sofre desta perturbação tem consciência que as suas obsessões e compulsões são irracionais ou excessivas, mas não consegue ter controlo sobre elas.

As obsessões podem relacionar-se com ideias de sujidade, existência de germes e contaminação; medo de ter comportamentos agressivos ou violentos, que escapem ao controlo do próprio; sentimentos extremos de responsabilidade pela segurança de outros (p.e. medo irracional de ter atropelado alguém); preocupação exagerada pela ordem, organização e simetria; incapacidade para deitar fora bens inúteis ou já deteriorados.

No que respeita aos comportamentos compulsivos, destacam-se as lavagens excessivas (particularmente das mãos e banho); rituais de limpeza e verificação; acções repetitivas como tocar, contar, colocar em ordem e coleccionar; actos que visam ajudar a reduzir o medo das obsessões (p.e. vestir só de determinadas cores), etc.

Esta perturbação pode levar ao desenvolvimento de depressão. A ansiedade extrema, desconforto e angústia são também frequentes. Por vezes, podem aparecer outros comportamentos relacionados com a doença, como é o caso da necessidade de arrancar pêlos das sobrancelhas ou cabelos (tricotilomania), ou o aparecimento de preocupações excessivas com pequenos ou mesmo inexistentes defeitos do corpo (dimorfofobia), ou ainda graves hábitos de roer as unhas.

Para além das situações anteriormente apresentada, que se caracterizam por uma componente sintomatológica relativamente evidente, existem perturbações mais abrangentes, continuadas, designadas por perturbações de personalidade. São perturbações que afectam a forma como as pessoas se sentem e relacionam com elas próprias, os outros e o mundo, produzindo sofrimento psicológico significativo.

Não sendo objectivo deste espaço aprofundar demasiado esta temática, fica a ressalva de que a existência prolongada de sofrimento, a sensação de falta de flexibilidade e de imutabilidade das reacções perante as situações, pode revelar a presença de uma perturbação a este nível. Nesse sentido, por vezes é indicado recorrer a uma ajuda especializada, nem que seja para se clarificar sobre o tipo de problema ou questões que se está a experienciar.

 

Perturbações do Humor

 

Depressão

Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão, uma perturbação caracterizada por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.

Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que perturbam e inquietam. A procura de ajuda profissional deve ocorrer se os sintomas se agravarem e perdurarem por mais de duas semanas consecutivas. Segue-se uma listagem dos mais comuns:

    • Modificação do apetite (falta ou excesso de apetite);
    • Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
    • Fadiga, cansaço e perda de energia;
    • Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa e de incapacidade;
    • Falta ou alterações da concentração;
    • Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
    • Desinteresse, apatia e tristeza;
    • Alterações do desejo sexual;
    • Irritabilidade;
    • Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular, dor abdominal, enjoo.

A falta de tratamento pode conduzir a um quadro de doença crónica.

Bipolaridade

Tradicionalmente designada por perturbação maníaco-depressiva, é caracterizada por oscilações acentuadas do humor, entre dois pólos opostos: mania e depressão. Estas mudanças do humor, num sentido ou noutro, têm repercussões importantes nas sensações, emoções, raciocínio e comportamento da pessoa, sendo acompanhadas de perdas significativas na qualidade de vida e autonomia.

No pólo maníaco, o principal sintoma é um estado de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável. Nas fases iniciais da crise, a pessoa pode sentir-se mais alegre, sociável, activa, faladora, auto-confiante, inteligente e criativa. Com a elevação progressiva do humor, os sintomas podem assumir formas mais exacerbadas:

    • Irritabilidade extrema, principalmente quando vão contra os seus desejos e vontades;
    • Pensamento acelerado, discurso rápido e confuso, com mudanças frequentes de assunto;
    • Aumento de interesse em diversas actividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;
    • Sentimento de grandiosidade (achar-se melhor que os outros);
    • Energia excessiva, agitação psicomotora;
    • Diminuição da necessidade de dormir;
    • Aumento da vontade sexual, comportamento desinibido e promíscuo;
    • Perda de noção da realidade, ideias estranhas (delírios) e alucinações (p.e. ouvir vozes);
    • Abuso de álcool e de substâncias.

No pólo depressivo, o principal sintoma é um estado de humor triste e desesperança. Dependendo da gravidade da crise, podem ocorrer um ou mais dos seguintes sintomas:

    • Preocupação com fracassos ou incapacidades (foco naquilo que “não consegue fazer/ser”);
    • Perda da auto-estima;
    • Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva;
    • Pensamento lentificado e dificuldade em tomar decisões;
    • Perturbações da memória (esquecimentos) e dificuldades de concentração;
    • Perda de interesse pelo trabalho e pelas actividades anteriormente prazerosas;
    • Preocupação excessiva com queixas físicas, por exemplo obstipação;
    • Agitação, inquietação ou perda de energia, cansaço, inacção total;
    • Alterações do apetite e do peso;
    • Alterações do sono (insónia ou sonolência);
    • Diminuição do desejo sexual;
    • Choro fácil;
    • Ideias de morte e de suicídio;
    • Abuso de álcool ou outras substâncias;
    • Perda da noção da realidade, ideias estranhas (delírios) e alucinações (p.e. ouvir vozes com conteúdo negativo e depreciativo).

Durante a mesma crise, a pessoa pode ter sintomas de depressão e de mania, o que configura uma crise “mista”.

Quando não parece ser possível ultrapassar os obstáculos, utilizando os recursos pessoais disponíveis, poderá ser útil e importante recorrer ao apoio psicológico especializado.

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